Fraldas Reutilizáveis

Como a maioria de vocês já sabe o Lucas é um rabinho de pano (com muito orgulho) e são muitas as questões que me chegam sobre estas fraldas: “São boas? Como lavas? Tens muitas fugas?”.

Então para responder a estas e outras questões  convidei a minha querida Ana Monteiro, a melhor consultora de fraldas reutilizáveis. 

O que são fraldas reutilizáveis?

Ana: As fraldas reutilizáveis não são mais do que alternativas às fraldas descartáveis, que surgiram há cerca de 40 anos para responder às alterações das famílias, com as mães a entrar no mercado de trabalho e a precisar de soluções práticas para o seu dia-a- dia.
Acontece que nos últimos anos houve uma crescente preocupação das famílias na sua utilização o que fez aumentar a procura e consequentemente a oferta das fraldas reutilizáveis, também chamadas de fraldas ecológicas ou fraldas de pano.
As fraldas reutilizáveis podem ser de diversos tipos e materiais, tendo sempre dois elementos fundamentais, uma parte absorvente e uma parte impermeável, que podem estar na mesma fralda ou ser uma combinação de duas fraldas diferentes.

Quais são as vantagens da sua utilização?

Ana: As fraldas reutilizáveis têm visto a sua popularidade crescer essencialmente por três motivos: por questões de saúde, económicas e ambientais.
Ao escolher fraldas reutilizáveis vamos evitar o contacto do bebé com uma série de produtos químicos presentes nas fraldas descartáveis que podem ser
prejudiciais tanto a nível tópico (por dermatites ou alergias) como a nível
respiratório e até potencialmente cancerígeno.
Do ponto de vista dos custos há diversos estudos que comprovam que, com a
manutenção correta, existe uma poupança na utilização destas fraldas que é
ainda mais visível num segundo e até terceiro filho, uma vez que nestes os únicos custos associados serão os da manutenção.
Mas a maior questão será provavelmente a ambiental, já que pela sua
constituição as fraldas descartáveis demoram cerca de 450 anos a degradar-se em aterro. Sim, 450 anos de fraldas, a um ritmo médio de 8 fraldas diárias por criança desde o seu nascimento até ao desfralde, ou seja, cerca de 2 anos e meio.
Estamos a falar de uma pegada ecológica gigantesca logo nos primeiros anos de vida – recursos como árvores utilizadas para a celulose, plásticos e água, para além dos milhares de toneladas de lixo que se acumulam nos aterros. O único estudo português estima que cada criança produza 1 tonelada de lixo em fraldas descartáveis, e que por ano sejam produzidas 40 mil toneladas de lixo só em Portugal.
Acima de tudo, as fraldas reutilizáveis são a solução para as famílias que
procuram um estilo de vida mais amigo do ambiente e dos bebés.

O que é preciso ter para começar a usar estas fraldas?

Ana: A minha sugestão é sempre que se comece faseadamente. A verdade é que existem hoje em dia muitas marcas, sistemas diferentes, diria até uma solução para cada família. Assim, é muito difícil saber que fraldas se adequam mais ao nosso estilo de vida sem experimentar primeiro. Para além de conhecer toda a informação disponível e os testemunhos de outras famílias, pode iniciar-se a utilização das fraldas reutilizáveis com um pequeno stock que se pode ir alargando conforme as preferências.
Para além das fraldas (8 a 10 para iniciar), 1 ou 2 sacos impermeáveis de balde, 1 ou 2 sacos de transporte e detergente adequado à lavagem das fraldas.
O stock completo será de 24 a 30 fraldas, alguns absorventes suplementares, os sacos impermeáveis (2 de cada), liners descartáveis ou reutilizáveis e o
detergente para a lavagem.

Como se lavam?

Ana: Esta é a questão que mais preocupa as famílias e está muito ligada às antigas práticas que não podiam ser mais diferentes das de hoje em dia.
Antes da introdução da alimentação complementar, não há qualquer necessidade de tratamento prévio nas fraldas. Elas são retiradas do bebé e colocadas no saco impermeável até à lavagem. Nessa altura é colocado na máquina o saco com as fraldas, não havendo qualquer necessidade de manipulação das mesmas. É muito importante que se faça uma pré-lavagem inicial só com água fria e sem detergente, seguida de uma lavagem a 40º (é importante ver as indicações de lavagem dos fabricantes), com detergente em quantidade apropriada à dureza da água e para roupa muito suja. No final, se persistirem restos de detergente poderá ser feito um enxaguamento extra. A secagem deverá ser preferencialmente feita ao sol, que é também um excelente aliado na remoção de nódoas.
Após a introdução alimentar, deverão apenas ser removidos os cocós da fralda antes de serem colocados no saco de balde. Esta operação é muito facilitada pela utilização de liners que deverão ser colocados no lixo, evitando assim o contacto com os cocós.

As fraldas libertam odores?

Ana: Há umas semanas uma mãe que me pediu ajuda para iniciar a utilização das fraldas com o seu bebé de um ano disse-me que estava com um problema porque já não conseguia saber quando o seu filho tinha feito cocó. A verdade é que por se tratarem de fibras naturais as fraldas reutilizáveis não cheiram tão mal como as fraldas descartáveis.
Quanto ao seu armazenamento até à lavagem, é importante que não exceda os 2 dias (3 no máximo) para evitar a proliferação de fungos e bactérias. Ainda assim, é possível utilizar no balde um pó próprio para a neutralização de odores ou um pedaço de tecido com algumas gotas de óleos essenciais. O balde deverá ser colocado num local arejado e sem exposição direta ao sol.

Quando trocar de fralda?

Ana: A recomendação é a mesma para as fraldas reutilizáveis e para as descartáveis, sempre que o bebé fizer cocó ou mais ou menos de 2 em 2 horas. É comum que este tempo seja ultrapassado, principalmente com as fraldas descartáveis, o que pode não ser benéfico para o bebé e provocar as famosas assaduras.

Em caso de fugas como detetar e solucionar o problema?

Ana: As fugas podem ter várias causas. A mais comum é o ajuste – para que as fraldas funcionem perfeitamente é importante que fiquem ajustadas ao corpo do bebé, de forma a que não fiquem nem muito apertadas nem muito largas nas costas, barriga e virilhas, onde devem estar bem encaixadas (justas mas permitindo que o nosso dedo circule bem entre a fralda e a pele do bebé).
Outra causa comum é a roupa muito apertada, nomeadamente os bodies
interiores. Se ficarem muito justos vão não só pressionar a fralda na zona que
absorve o xixi (fazendo o mesmo efeito de apertarmos uma esponja cheia de
água) como também de levantar a fralda na zona das virilhas. Neste caso poderão optar por utilizar o tamanho acima ou então os extensores de body.
A terceira causa poderá ser o ciclo de lavagem. Ou porque as fraldas não ficam
bem lavadas e há acumulação de amónia nas fibras dos absorventes (que pode ser resolvida por um processo de stripping com a utilização de um anti-amónia) ou porque há depósito de excesso de detergente que vai impermeabilizar os absorventes (pode ser resolvido com uma lavagem a uma temperatura superior, alteração do detergente e/ou da quantidade utilizada). É sempre importante avaliar a rotina de lavagem e fazer os ajustes necessários.

Que roupas usar?

Ana: Em princípio podem ser utilizados todos os tipos de roupas. Como já referi, é importante que as peças interiores não sejam muito justas ou apertadas para não provocar fugas.
Depois, da minha experiência, as calças de ganga e de tecidos não elásticos são os mais difíceis de usar, por não terem espaço suficiente para a fralda.
Por outro lado, no verão as fraldas são mais um acessório uma vez que ao
contrário das descartáveis não há qualquer necessidade de as tapar (diria até que as mães as gostam de exibir com orgulho)

.

O que são liners?

Ana: Os liners são os melhores amigos na manutenção das fraldas. Não são mais que revestimentos que podem ser biodegradáveis ou reutilizáveis e que servem de barreira para que os cocós não entrem em contacto com as fraldas.
Os biodegradáveis podem até ser reutilizados se só tiverem xixi, e a maioria
aguenta cerca de 3 lavagens a 40º (por isso, ao contrário do que dizem as marcas não aconselho a que sejam colocados na sanita). Os liners reutilizáveis podem ser de vários materiais, nomeadamente de tecido polar (fleece) e para além do seu papel de barreira servem ainda para manter seca a pele do bebé.

Vais para uma ilha deserta, quais são as 10 fraldas que levas?

Ana: Se só pudesse escolher uma marca, sem dúvida que levaria as Pop-In da Close e os seus boosters noturnos. Para completar um stock mais variado juntaria as Charlie Banana (bolso), as Bambino Mio (tudo em 1) e as ajustadas da Totsbots com capas Rumparooz.
Agora, talvez para uma ilha deserta sem eletricidade, onde tivesse que lavar
fraldas à mão, optasse apenas pelas tradicionais e sempre fieis musselinas com capas Rumparooz, fáceis de lavar e espremer, esperando que nessa ilha houvesse muito sol para as secar.

Onde te podemos encontrar para esclarecer mais dúvidas?

Ana: Através do Centro Online da Rebento onde disponibilizo um workshop individual e personalizado, desenhado para as famílias que querem começar a utilizar as fraldas reutilizáveis e também para as mais experientes que encontraram obstáculos na sua utilização.
Para além disso faço acompanhamento ao domicílio, onde apresento um vasto stock de fraldas e acessórios, bem como todas as informações necessárias para a sua utilização.
Na minha página do Facebook (https://www.facebook.com/HappyLife.AnaMonteiro/) está sempre disponível informação atualizada sobre os diversos workshops e eventos em que participo, alguns dos quais de acesso gratuito.

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