Minimalismo- Viver mais Feliz com muito Menos

O assunto sustentabilidade está muito presente no meu dia a dia e tento fazer sempre escolhas mais conscientes e melhores do que as que fiz no dia anterior. Como ser minimalista é um acto de sustentabilidade convidei a Vanessa Fernandes, da página do Instagram  Mentemorfose, para partilhar connosco um pouco do seu estilo de vida minimalista e dar-nos algumas dicas que tanto eu como vocês podemos por em prática.

O que é o minimalismo?

Vanessa: A definição mais rápida e mais comum do estilo de vida minimalista é: “viver com o necessário e descartar tudo o que está a mais”. Acontece que, fazê-lo nem sempre é obvio porque desde novos fomos habituados a pensar que ter mais é sinónimo de felicidade, de estatuto e sucesso na vida. Fomos ensinados a querer ter muita roupa, casas cada vez maiores, com muitos
moveis e outros objetos, mais e melhores carros, até mais amigos e mais compromissos para mostrar quão bem-sucedida é a nossa vida.
Mas também já todos sentimos que por mais coisas que se adquira, a felicidade é instantânea e passageira. Ficamos agarrados àquela sensação e queremos adquirir cada vez mais, até para mostrar aos outros como somos capazes e realizados.
O minimalismo põe de parte essas crenças e mostra que é possível viver mais feliz com muito menos.

Como aplicas o minimalismo no teu dia a dia?

Vanessa: Trabalhar o minimalismo é uma tarefa constante.
É importante para começar, ganhar consciência de nós mesmos no dia-a- dia, para que se possa dizer não àquilo que não nos acrescenta.
Por exemplo, dizer não a ofertas que não nos servem para nada, mas cuja tendência é dizer sim, porque fomos habituados a pensar “já que é gratuito vou aproveitar” ou “vou aproveitar porque um dia posso precisar”. Acontece que os meses passam e aquelas ofertam ficam guardadas numa gaveta que podia ser útil para armazenar coisas realmente importantes e que no limite te fazem adquirir mais um móvel para guardares cada vez mais coisas das quais não precisas.

Também não compro moveis ou objetos decorativos só para ocuparem um espaço livre. Gosto de espaços desafogados desde que consiga tornar a divisão harmoniosa.
Para tal basta por vezes uma planta, alguns quadros ou um tapete. Comprar moveis para ocupar um lugar vazio não faz sentido algum e abre espaço para se guardar mais tralha dentro deles.
Depois de adquirir um móvel para ocupar um espaço vazio, vamos querer comprar trabalha para o encher e objetos para o decorar.
Esta é a minha sala de refeições. Tem uma boa área, mas eu preencho-a apenas com o que é essencial para mim.

Porque é que o minimalismo e a sustentabilidade andam de mãos dadas?

Vanessa: Sendo o minimalismo um estilo de vida que retira valor ao consumismo, parece-me que é por si só uma forma de consumo consciência e consequentemente mais sustentável.
É claro que, sustentabilidade não é só consumir menos, mas também consumir melhor. No entanto, acredito que ter um estilo de vida minimalista é meio caminho andando para reduzir a nossa pegada.

É fácil ser minimalista numa sociedade capitalista e consumista?
Vanessa: Eu acho que não é fácil dar-se a mudança, por todas as razões que descrevi em cima. Mas é como tudo na vida, uma questão de hábito. Depois de essa mudança acontecer e fazer-se o “clique” dentro de nós, é relativamente fácil mantê-lo.
Também é natural que se tropece um pouco pelo caminho. Acontece-me por vezes comprar coisas das quais me arrependo ou aceitar coisas que achava que me iam ser uteis e afinal revelaram-se monos. Mas se estivermos atentos a eles e em constante “destralhamento” (“destralhar” é um termo muito usado para nos referirmos ao acto de nos vermos livres da tralha) é fácil mantermos esse estilo de vida.

Dicas para ter uma vida mais minimalista?
Vanessa: Antes de tudo o resto – e vou parecer uma chata com esta história – mantermo-nos conscientes. É fulcral não só para que este estilo resulte, mas para tudo na vida.
E como podemos fazê-lo?
Meditação, mindfulness e “uma vida mais slow” são as melhores ferramentas.
Outra dica, desta vez mais obvia, é não comprar por impulso. Quando quero alguma coisa nova, normalmente comparo preços em vários sites, registo a minha vontade e aguardo pelo menos um mês. Na maioria das vezes, as
coisas ficam só pelo registo porque quando o vou consultar metade já não faz sentido algum.
Não menos importante, é saber dizer não a ofertas e tralha.

E para ter um guarda-roupa minimalista?
Vanessa: O primeiro passo é fazer uma limpeza geral ao guarda-roupa.
Devem ficar apenas as peças que realmente gostamos, aquelas que vamos sempre tirar do armário em primeiro lugar na hora de vestir.
Segundo passo, saber qual o nosso estilo.
Duas boas ferramentas são, o Pinterest e a nossa Paleta de Cores.

No Pinterest podemos colecionar numa pasta, imagens que se identificam com o que mais gostamos de vestir, ou seja, peças que se relacionam com aquelas que ficaram no armário depois do destralhamento. Com as imagens à nossa frente é mais fácil interiorizar o tipo de peças que buscamos e passar a adquiri-las com base nessas características.
A nossa Paleta de Cores vai ajudar-nos a definir uma paleta para o nosso guarda-roupa.
Existem vários sites, onde podemos fazer o teste e descobrir qual a nossa paleta de cores com base no nosso tom de pele, cor de olhos e cabelo. Depois de descobrirmos, vai fazer todo o sentido, até porque são normalmente as cores das peças com as quais já nos sentíamos bem só não sabíamos porquê.
Sendo a paleta de cores por vezes um pouco extensa, é bom selecionar as que mais gostamos e construir o nosso guarda-roupa com base nas mesmas e de preferência que sejam combináveis entre elas.

Depois é só ir mantendo. Quando identificamos que precisamos de algo novo, se for igual ou semelhantes a algo que já temos, mas que já não no satisfaz, a peça nova deve automaticamente substituir a outra.

Que benefícios um estilo de vida minimalista te trouxe?
Vanessa: Essencialmente, menos stress.
Tenho mais qualidade de vida e mais tempo para o que é realmente importante. Não perco tempo a limpar, ou a fazer manutenção a coisas que não uso ou que não me satisfazem. Poupo dinheiro que é importante para mim, para investir ou gastar em projetos maiores e mais satisfatórios a medio e longo prazo.
O grande objetivo para mim, é ter apenas coisas que me faz bem. Aquilo que
realmente gosto. E usar o meu tempo livre para apreciar mais e comprar menos.

Vanessa Fernandes – Mentemorfose
IG: mentemorfose

2 comentários em “Minimalismo- Viver mais Feliz com muito Menos”

    1. Olá Vera, se pesquisares no google irás encontrar bastantes testes. O melhor é ir testando vários porque os resultados variam de site para site e se for pesquisando depois vai ver quais são as cores que mais prevalecem para a sua paleta de cores. Beijinhos **

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